terça-feira, 16 de dezembro de 2008

"Bermeio"

Bem, como vocês já perceberam eu não cumpri nada que prometi da última vez, mas dessa vez foi porque os vídeos não carregavam de jeito nenhum e viajei no último final de semana. Enfim, pelo menos o que eu tenho hoje é algo divertido. Selecionei dois vídeos do tempo em que as meninas, Karol e Jacqueline, estiveram aqui em Valencia. Para vocês meninas! o/
Aviso importante: Eu sei que poderia ter carregado os vídeos direto no blog, mas com eu já falei anteriormente não tava conseguindo de jeito nenhum. Por isso tive que pôr no Youtube.
1º Vídeo

Esse vídeo é a volta pra casa depois de uma noite em que quase desistimos de nos divertir. Rodamos quase uma hora atrás do lugar, achamos que não ia ser legal, mas no fim foi tudo bem divertido.

Assistam ao vídeo que foi filmado e narrado por Karol e depois faço algumas ressalvas sobre ele:
http://br.youtube.com/watch?v=pQoSzlfmBmQ

- A mulher era realmente bonita, mas ela não estava me dando bola
- eu não vou colocar a foto que eu tenho dela no Orkut
- Não queiram saber o que é Cheba (sic)
- esqueçam tudo que foi falado sobre o namorado de Jacqueline senão ela vai me matar
- beber duas cervejas numa boate é muito porque uma longneck custa 4 euros.

2º Vídeo
Esse foi feito no Starbucks e é para lembrar que o pouco tempo que as meninas passaram aqui em casa foi suficiente para elas fazerem amizade com Alejandro e Joaquín. Mas que sempre havia a barreira lingüística e devo dizer que quando voltar ao Brasil já posso me tornar um tradutor.

http://br.youtube.com/watch?v=Sem-0j-9zrk


Até a próxima!

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Texto de hoje


Sei que tenho dado muitas desculpas ultimamente, mas não estou escrevendo esses dias porque estou recebendo “invitadas muy chulas”, karol e Jacqueline. E nessa semana que elas estão por aqui tenho aproveitado para curtir Valencia. Sem mais delongas, o texto de hoje.


Bem, para ser sincero, eu ainda não sei como começa o texto de hoje, nem mesmo decidi o assunto. Mas sei que tem que ser algo muito bom, algo que desperte nas pessoas o desejo de ler mais e mais. Algo que as faça comentar emocionadas como esse texto reflete seus pensamentos mais profundos.


Sabe de uma coisa, escrever é bem difícil. Principalmente quando se trata de um estudante de jornalismo orgulhoso, que depois de descobrir que pessoas liam seus textos ficou meio paranóico em escrever textos interessantes.


Ai você me pergunta: putz, tu ta na Europa, com vida de intercambista, conhecendo gente nova todo dia. Será que é difícil ter uma novidade para contar todo dia? E eu respondo, sim! Apesar de tudo tem coisas na vida que são iguais em todos os lugares. E tem semanas que eu simplesmente só faço o percurso, Casa-Universidade-Supermercado.


Mas eu juro, juro que toda semana penso, o que eu vou escrever que pode ser realmente interessante para as pessoas?O que eu posso ter aprendido que vai fazer algum sentido para alguém. Mas como vocês perceberam nem sempre sai.


Como deu para perceber, o texto de hoje foi só para dar satisfação e tentar conseguir o perdão de vocês. Mas devo dizer que eu não vou fazer a sacanagem de deixar os fiéis leitores só com isso para semana inteira, podem esperar que em poucos dias vou publicar o resumo da visita de Karol e Jacqueline a Valencia. E como um bom amigo que sou, aviso que vale a pena esperar.


Até a próxima!

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

E de repente...


Eu acredito que a vida é 50% planejada é 50% destino, alguns preferem dizer que é acaso, mas eu ainda sou do time do destino. Muitas vezes quando não se planeja as coisas saem bem melhor, mais divertidas. O inesperado dá um gostinho especial. Outras vezes quando você tem tudo muito certo, direcionado e de repente acontece um imprevisto, tudo parece perdido, não se tem mais chão, os planos vão por água abaixo.


Bem, essa pequena introdução é para dizer que meus planos foram por água abaixo. E que no dia em que recebi a notícia do funcionário da “extrangería” fiquei perdido por alguns momentos. Disse que se quisesse ficar um ano teria que voltar ao Brasil para solicitar um novo visto, sem outras opções, sem jeitinho brasileiro, sem esperanças.


Naquela manhã de sexta-feira estava frio e chuvoso, parecia que refletia exatamente o que eu estava sentindo. Tudo que havia planejado, sonhado e me preparado tinha sido desfeito em uma só manhã, em meia-hora. Primeiro tive vontade de chorar, mas quem me conhece bem sabe que eu tenho alguns problemas com isso e passei do choro para a raiva. Depois quis arrumar uma solução, liguei para minha mãe e tentei dar um jeito, mas, alguns dias depois, soube que também não daria certo. No fim comecei a aceitar com uma sensação de fracasso. Mas agora, depois de falar com meus amigos, com familiares, depois de pensar bem comecei a ver o lado bom dessa mudança de planos. E comecei a ficar feliz e até esperar pela volta.


Nesse momento tenho pouco mais de três meses de Europa e tudo que quero é aproveitar. O sonho ainda não acabou.

Até a próxima!

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

O jogo dos 7 erros europeu


Esse post é sobre os mitos que geralmente nós temos sobre a Europa. Antes de começar eu tenho de lembrar que estou num país europeu que não é exatamente o modelo de desenvolvimento do continente. E o único país que eu estive além da Espanha foi Portugal, portanto, não tenho essa autoridade toda para falar, mas como no Brasil nós costumamos colocar tudo no mesmo bolo, ai vão minhas impressões.

Sujeira na rua


Valencia é uma grande cidade, moderna, arborizada, bonita. Nas ruas há lixeiros e contêineres ecológicos por todos os lados, com separação de material para a reciclagem. Entretanto, há pessoas que jogam lixo na rua. E o pior, há fezes de cachorro para todos os lados. Tudo bem, não para todos os lados, mas numa proporção muito grande. Inclusive é um ponto muito interessante pra lembrar daqui, as pessoas dessa cidade adoram cachorros. Para redimir a cidade devo lembrar que todas as noites circulam uns carrinhos engraçados varrendo e lavando as ruas.


Violência

Bem, a cidade de Valencia, apesar de ser uma cidade de quase um milhão de habitantes, sem contar a área metropolitana, não é uma cidade violenta. Você pode andar nas ruas principais a qualquer hora do dia ou da noite sem se preocupar. Porém há guetos, ruelas e bairros que não são recomendáveis como em qualquer outra cidade do mundo. Mas se você assiste o noticiário na TV, vai ver que nem tudo são as mil maravilhas no país, e também no continente. Assaltos, seqüestros, assassinatos brutais, pedofilia, tráfico de drogas. O velho continente não está imune aos males do mundo moderno.


Desemprego

Só no mês de outubro na Espanha 200 mil pessoas perderam o emprego, a maioria no setor de serviços e indústria. A taxa de desemprego na Espanha é a maior da União Européia, todo o bloco sofre com a falta de emprego. Não é o paraíso como pensam os brasileiros.


Descaso do poder público

Todo dia vejo na TV gente indo reclamar do descaso do governo em alguma comunidade espanhola. Problemas como: ruas não asfaltadas, violência, prostituição, problemas com escolas. Enfim, apesar do comprometimento do governo ser bem maior, e as ações mais rápidas, sempre há alguma coisa que foi deixada para depois.


Pobreza

Há pobreza na Europa, mesmo que em menores proporções, ou mais camuflada. Há sim favelas, gente pedindo esmolas nas ruas, flanelinhas que te obrigam a pagar pra usar um local público, pais e mães de família que precisam da ajuda do governo para poder comer todos os dias (o que é um diferencial já que no Brasil nem isso as pessoas têm).


Preconceito

Todo mundo deve estar imaginando: Ah, essa eu sabia, preconceito contra imigrantes e tudo mais. Bem, realmente existe esse preconceito que todos já sabem. Mas há também contra outros europeus. É uma xenofobia generalizada. Os estudantes de intercâmbio na universidade são meio que isolados pelos espanhóis. Sejam eles Brasileiros, franceses, italianos ou peruanos.


Falta de conhecimento

Para quem pensa que europeu é tudo culto e informado ta muito enganado. A maioria não conhece mais do que a realidade em que vivem. Suas cidades, suas províncias, no máximo seu país. Numa aula da disciplina de Instituições Políticas Contemporâneas, para estudantes de comunicação o professor teve de explicar o que está acontecendo no Kosovo, para poder usar o "país" como exemplo. Porque uma boa parte dos estudantes não só desconheciam a atual declaração unilateral de independência do Kosovo, como também não tinham idéia do que se passa na região, nem do conflito com a sérvia, ou sobre a antiga Iugoslávia. Talvez eu possa estar sendo duro com o exemplo, mas isso é coisa que a gente aprende na escola no Brasil.


Enfim, são opiniões que fazem sentido para mim, mas pode não fazer sentido para outras pessoas que lerem. O que eu quero passar com tudo isso é que a Europa não é tão boa assim, e o Brasil não é tão mal como a gente gosta de dizer.


Até a próxima!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Aún aquí


Era uma vez um jovem que achava que quando chegasse no velho continente tudo ia ser diferente. Que ia poder fazer tudo que sempre sonhou da maneira que mais lhe convinha, porque ele poderia ser quem quisesse. Porque na Europa tudo é maravilhoso e deliciosamente diferente. Novos ares, novos conceitos, novas identidades, novas atitudes. Bem, tudo é diferente, mas o jovem só não contava com um incômodo empecilho: a personalidade é algo que não muda, a sua verdadeira face, aquilo que você é por dentro, nunca será diferente, nunca vai mudar. Você pode fazer qualquer coisa, aparentemente pode ser alguém diferente, mas lá dentro é exatamente aquilo que sempre foi.


Tudo que escrevi pode ser uma grande bobagem, pode não fazer nenhum sentido, e pode ser um saco. O que importa é que percebi tudo isso quando me dirigia ao metrô numa bela tarde de outono, sob um sol suave e uma brisa que fazia os 18 graus parecerem 15. Eu percebi tudo isso em Valencia, na Europa! Ou seja, o sonho não acabou.
Perdão pelo post tão pequeno, mas eu tinha que dizer isso, e só tinha isso pra dizer. Até a próxima!

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Coimbra em Diálogos


Cheguei bem cedo, o relógio ainda não marcava 6 da manhã. Liguei para Amanda e ela disse que já estava indo me buscar. Lembram de Ana Sofia? A portuguesa do trem que vinha de Madrid? Sabendo que Amanda estava a caminho aquela hora da manhã disse logo: - que amiga fixe! Nessa hora eu pensei: “é esses são os brasileiros”. Claro, dando todos os créditos a gentileza de Amanda.

Esse deveria ser o post sobre a viagem de Coimbra que ocorreu entre os dias 9 e 13 de outubro. Eu deveria descrever a cidade, as peculiaridades e todos os mínimos detalhes, exatamente como fiz no primeiro parágrafo, mas já faz muito tempo eu vou tentar fazer algo diferente. Ok! continua sendo um post sobre Coimbra, mas de alguma forma tentarei não ser convencional.







- Putz, ta frio. Deve ta fazendo uns 15 graus, talvez menos. E Amanda ainda vai demorar uma meia hora. Se bem que é melhor do que se eu estivesse suando. Ei, que legal, tá saindo fumaça da minha boca...hehehe...primeira vez na europa. ¡joder! mas também não precisava estar tão frio. Que merda, já to xingando em espanhol, faz nem um mês que eu to aqui.
- Ramon?
- hey! Pensei que ia demorar mais!
- peguei um táxi.





- Pronto, tu vai poder ficar aqui na sala, vou botar um aviso pra ninguém te incomodar.
- “Favor não incomodar, Ramon está a dormir.”
- a dormir? Hehehe
- é, os portugueses não usam gerúndio. Pode dormir até a hora do almoço.
- blz, até mais tarde.
- Como eu vou conseguir passar três dias dormindo nesse sofá?





- Em um dia tu vai conhecer Coimbra, é uma cidade muito pequena, sem muita coisa pra ver. O único problema são as ladeiras, muitas ladeiras.
- Eu to percebendo, kramba, essa são as monumentais de Coimbra?
- ¡joder!





- Por favor, qual é o autocarro que passa em Coimbra-A?
- É o 29, mas tem que ir para aquela outra paragem.
- obrigado





- Vamos pra Associação dos estudantes, tem cerveja a 0,50 céntimos.
- Sério? 0,50 céntimos? Em Valencia mais barato que paguei foi 2,50€.
- Ah, e depois a gente vai beber shots!
- Shots? O que é isso?
- Você vai ver.





- 1 shot por favor
- Do que você quer?
- Tequila
- 1 euro
- É hoje que eu fico bêbado!





- Qual é a bebida que você mais gosta?
- Cachaça
- Não tem cachaça, mas tem parecido, é português, e é forte.
- putz, que forte!
- Aqui ta o dinheiro
- Náo, é por conta da casa.
- sensacional!





- Vou fazer uma especial para você. Eu vou colocar fogo, você tampa, depois bebe. Tampa novamente e bebe!
- blz


Depois do ritual


- ¡joder! To bêbado.




- Aline?
- oi?
- Onde posso conseguir um pano? Vomitei na sala.
- Vamos, eu ajudo.


10º


- Não há mais passagens pra Madrid, só amanhã.
- Eu não acredito! Então eu quero pra amanhã mesmo. Aquele filho-da-puta da outra estação me deu informção errada! Qual é o horário, por favor?
- O trem passa aqui a 00:10.


11º


- então até daqui a quatro dias em valência
- Até Valencia!



ps1: os trechos em itálico refletem pensamentos;

ps2: as falas não exatamente o que foi dito, mas refletem a realidade;

ps3: confesso que a inovação as vezes não sai do jeito que a gente queria, por isso considerem-se livres para criticar;

ps4: Até a próxima!

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Trens são fixe!

No dia 9 de outubro a “Comunitat valenciana” celebra o seu dia, por isso, é feriado. Sabendo que a partir da quarta, dia 8, eu já não teria aula, pensei seriamente em viajar. Como fiquei doente no final de semana anterior quase desisti, mas eu ia ficar cinco dias completamente só em casa, não ia ser nada legal.

Contrariando meu bolso fui a “Estació Del Nord” na quarta, 8, e comprei as passagens Valencia-Madrid, Madrid-Lisboa. Eu decidi ir para Coimbra, onde Amanda está pelo PIANI. Devo dizer que viajar de trem na classe turística não é a maneira mais confortável, nem a mais rápida, mas, com certeza, é a mais divertida. No trem de ida para Madrid que partiu na quinta-feira, 9, as 17:50. Sentei ao lado de uma brasileira que vive em Valencia a cinco anos, pura coincidência. Kelly é de Recife e vive com a irmã e o cunhado espanhol. Engraçado que ela já ta na fase de falar palavras em espanhol no meio da conversa. A viagem foi bem agradável, aproveitei para tirar algumas dúvidas sobre Valencia e ela me contou as aventuras desses anos vivendo aqui. Ela está de viagem marcada para o Brasil e dessa vez vai tentar ficar em Recife.


O trem vindo de Valencia chega numa estação em Madrid chamada Portal de Atocha, aquela do atentado de 11 de março, e o trem que vai para Lisboa sai da estação de Chamartín. Por isso, eu tive que pegar o metrô. Quando esperava o metrô conheci um senhor da Galicia. Na Galicia se fala gallego, um idioma que é meio uma mistura de português e espanhol. Eu acho muito esquisito e por isso eu falava com ele em castellano e ele respondia em gallego. O mais legal foram as histórias que ele me contou. Ele disse que quando tinha 18 anos saiu da Espanha e foi tentar a sorte em outros países. Primeiro Venezuela, depois EUA e por fim Brasil.


Ele viveu por um ano no Rio Grande do Sul, em Nova Hamburgo, e disse que gostou muito. Aproveitou para falar bem de Lula e dizer que o Brasil será mais rico que a China. Porém a história que ele disse ser a mais interessante dessa temporada fora da Espanha foi no tempo em que ele vivia na Venezuela. Contou que quando estava em Caracas conheceu um alemão muito simpático, um colega de trabalho, que acabou se tornando seu amigo. O senhor gallego (não nos apresentamos, portanto não sei o nome dele nem ele o meu) disse que o alemão era um homem do nazismo que tinha fugido pra Venezuela. Segundo ele, um dia estava em casa já na Espanha e viu a foto do amigo no jornal como fugitivo nazista e ficou muito surpreso. Não fixei o nome do nazista que ele me falou, mas procurando na net descobri que era Harry Mannil (http://www.forosegundaguerra.com/viewtopic.php?p=50228). Não sei se era alemão, mas a história bate com o que ele me disse.

Já no Trem para Coimbra conheci Ana Sofia, uma portuguesa de Aveiro que tinha acabado de se formar em engenharia (esqueci qual) e que vinha desde a Itália de Trem. Ela era muito fixe (aprendi isso com ela, significa legal em Portugal) e me ajudou para que eu não perdesse a parada de Coimbra.


Voltando para Valencia, conheci uma australiana que estava pegando o trem para Barcelona, mas que na verdade iria para a Holanda, apesar de morar na Escócia. Nós estávamos meio perdidos e meio que ajudamos um ao outro. Enfim, viajar de trem é pura diversão, e caminho certo para conhecer pessoas dos quatro cantos do mundo.

Ah, e sobre Coimbra, como foi a viagem, as ladeiras, a bebedeira, convidar estranhos para minha casa enquanto estava bêbado, eu deixo para próxima. ¡Hasta ahora!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Enfermedad


Antes de tudo eu peço desculpas pela demora para escrever, mas eu estive bem doente esses dias e mereço um desconto. Pois é, faz mais de uma semana que uma crise de sinusite braba me atacou, e o ápice dessa crise foi na noite da última segunda, com febre e tudo mais.

Falando em doença, deve ser a pior coisa que pode acontecer com alguém que está viajando sozinho. Não há quem cuide de você e as coisas sempre parecem piores do que são. O que foi legal nessa doença foi “fazer amizade” com o farmacêutico (você sempre é atendido por um farmacêutico). Eu sempre compro remédio (como se eu morasse aqui há 20 anos) na farmácia que fica em frente à estação de metrô (engraçado que aqui todas as farmácias são identificadas com uma grande cruz verde de neón, de longe você sabe onde tem uma) e nas três vezes (é, só foram três) que comprei remédios lá precisei da ajuda do cara porque aqui até um simples paracetamol tem três tipos pra você escolher.

Enfim, essa doença me fez perder aula e atrasar pra escrever. Inclusive diria que continua fazendo efeito pra que eu tenha escrito um texto tão mais ou menos como esse. Espero que o próximo seja mais interessante. Daqui a pouco pego o trem pra Portugal! Vou passar três dias lá na casa de Amanda, em Coimbra. Portanto, o próximo será um post de viagem.

Até a próxima!

terça-feira, 30 de setembro de 2008

¿Hablas alemán?


Na última semana tenho dividido quarto com um austríaco que estava sem apartamento. Manuel (os pais dele acharam legal esse nome português). Bem, nessa sexta ele me chamou pra sair com uns amigos dele. Eu não lembro os nomes deles, mas era uma austríaca, e um casal de alemães.


Bem, era cedo ainda e então saímos pra jantar, os encontramos e eu cumprimentei as garotas em espanhol e elas responderam normalmente em espanhol e o carinha soltou um "hola" meio tímido. Logo em seguida começaram a falar alemão entre si, normal, a língua materna de todos é o alemão. Manuel me alertou que as meninas falavam espanhol, mas o carinha não. Aparentemente isso não era um problema porque eu estava com Manuel e por mais que ninguém falasse comigo eu poderia falar com ele.

Entretanto, antes mesmo de chegarmos ao restaurante, Manuel atendeu a um telefonema que o irritou muito e ele passou muito tempo discutindo ao celular (em alemão). Chegamos ao restaurante, sentamos e ele continuou discutindo lá fora. As meninas foram até gentis e conversaram um pouco comigo em espanhol. Porém logo o assunto se esgotou e diante do silencio eles começaram a falar alemão alegremente, e eu fiquei caladinho, olhando ao redor, louco pra que Manuel voltasse. Depois de uns 10 minutos ele voltou, mas estava meio chateado e ficou calado por um tempão.

Depois do restaurante fomos pra um bar no Barrio de Carmen e a história se repetiu, só que com o apóio de Manuel. As coisas estavam realmente ficando desagradáveis, eu já nem olhava pras pessoas, ai Manuel se tocou e de vez em quando falava comigo, mas era bem de vez em quando. A pior parte foi quando ele começou a contar uma história todo empolgado e todos fazendo cara de nojo e rindo e eu com aquele olhar pidão. De repente no meio da história ele começa a contar em inglês e as pessoas riram e chamaram a atenção dele, que não tinha percebido a mudança de língua. Mas isso foi muito bom na verdade porque eu comecei a entender (apesar de não falar muito bem, entendo um bucadinho). Então, para felicidade geral da nação, ele contou a história em inglês, era sobre quando ele viveu em Macau e como os chineses tem hábitos considerados nojentos pelos ocidentais. Mas como felicidade de latino dura pouco, foi só essa história em inglês, em seguida continuou com as outras conversas em alemão.

Pra vocês não pensarem que minha noite foi uma droga nós só ficamos com esse pessoal até uma da manhã. Depois fomos encontrar uns amigos espanhóis de Manuel num bar no centro de Valencia, e depois fomos pra uma boate bem legal onde eu entrei de graça e conheci uma brasileira, e teve a garota finlandesa que deu em cima de Manuel com o namorado do lado, e a galera louca dançando em cima do palco. Mas tudo isso é outra história.


Dica 1: Não aprendam alemão, é uma língua detestável;

Dica 2: Sempre que sair verifique se todos falam alguma língua em comum com você;

Dica 3:Cuidado com as finlandesas!


Até a próxima!

domingo, 28 de setembro de 2008

¿Quieres salir de fiesta?


Quarta “salí de fiesta” pela primeira vez desde que cheguei em Valencia.. Tudo bem, eu sei que demorei um bucado, mas é porque não conhecia quase niguém e não sabia nem onde se fazia alguma coisa na cidade. Pois bem, nesta quarta meu colega de apartamento, Joaquín, me chamou para dar uma saída.

Saímos a meia-noite (antes disso é considerado muito cedo) e Joaquín me levou a uma zona de bares e boates que fica bem atrás do nosso apartamento, é chamado de Barrio de Carmen. São varias praças com muitos bares e boates. Meu colega escolheu o Bolsería Café para ficarmos. É um bar, com uma pista de dança e Dj. O lugar é bem legal, você não paga entrada, mas em compensação as coisas são bem caras. Para exemplificar (é o único exemplo que tenho) uma Heineken long neck custa 4,50€. Foi a única coisa que consumi durante toda noite, uma cerveja. Não dá para sair para beber em Valência. A grande solução que os jovens encontraram é o que eles chamam de “beber de botellón”, o mesmo que reunir um grupo de amigos, comprar bebida no supermercado (que é centenas de vezes mais barato) e ficar numa roda bebendo, na praça por exemplo.

O interessante é que no bar, a metade das pessoas eram turistas. A grande maioria, ingleses. Outra coisa interessante e nada agradável é que 80% das pessoas fumam, e dentro do ambiente fechado. Você chega em casa só cheirando a cigarro.

Até agora Valência parece espetacular, cheio de lugares interessantes e, principalmente pessoa interessantes. Algo que queria comentar é que conversava com meu colega Joaquín sobre o que se tem para fazer em João Pessoa e percebi que as duas cidades tem mais ou menos o mesmo número de habitantes e o mesmo tamanho, porém, ele acabou percebendo (o que nós já sabemos a muito tempo) que João Pessoa tem pouquíssimas poucas casas de show, boates e todas essas coisas que fazem de uma cidade turística algo mais atrativo. Não foi nada agradável ter isso constatado por um estrangeiro. Com certeza não dá pra comparar com Valência que está na europa, mas por favor né, nós poderiamos nos ajudar um pouco mais para sermos colocados no mapa turístico. mas isso foi só um desabafo de pessoense orgulhoso. Até a próxima!

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Impressões. Parte 1


Antes de mais nada quero deixar claro que tudo que está escrito aqui são opiniões muito particulares, sem nenhum embasamento antropológico, ou qual quer que seja. Portanto, palavras cheias de juízo de valor.

Hoje começaram as aulas na Universitat de València (Universidad de Valencia). Tinham me informado que, apesar dos estrangeiros só fazerem a matrícula no dia 25 eu poderia assistir aula a partir de hoje. Mas quando chego no departamento as pessoas não sabem dar informações. Enfim, fiquei uma meia hora no hall do departamento esperando para falar com as pessoas e foi um momento interesante. Interesante porque pude dar uma boa olhada nos estudantes do departamento de comunicação e letras, e nessa boa olhada eu percebi que a universidade pode ser em qualquer lugar do mundo, mas sempre vai ter certos padrões. Por exemplo: Há sempre pessoas que são revoltinha, se vestem bem displicentemente, fazem cabelos estilosos (vi uma garota com as laterais da cabeça raspadas formando uma espécie de tatuagem semelhante a pelagem de uma onça, pouco esquisito?), cheios de piercings, emos, indies e todas essas coisas; há as patricinhas e os playboys; há os “normais”; e há os estrangeiros. Mas se bem que a quantidade de estrangeiros que tem aqui não é lá tão parecida com a que temos na UFPB.

Mas tem também as diferenças: Parece que todos os habitantes desse país fumam. E entre os jovens isso parece ser maior ainda. Quando se chega na frente da universidade tem trocentas pessoas fumando do lado de fora, e todos são estudantes.

Nas ruas eu percebi uma moda interesante entre as garotas espanholas (ou ao menos valencianas), 8 em cada 10 garotas (eu produzi essa pesquisa) tem piercing na boca. Só que num é um piercing muito comum, que eu tenha visto no Brasil. É uma bolinha discreta embaixo do lábio, é diferente, e é moda (eu prometo tirar fotos depois e postar).

Há um museu ou monumento histórico em cada esquina, além de eventos culturas periódicos. Como era de se esperar de uma cidade européia, a cultura e o conhecimento são muito valorizados.

Para quem não sabe, a Espanha tem varios dialetos além do castelhano que é a língua oficial. A Comunidade Valenciana, onde está localizada a cidade de Valência (a capital) também tem seu dialeto, o valenciano. Uma dúvida cruel que eu tinha era se teria de aprender esse dialeto para poder me comunicar com as pessoas nas ruas e tudo mais. Só que eu vi, e o que me foi dito, é que as pessoas não costumam falar esse dialeto. Se aprende na escola, está em todas as placas e e serviços públicos (tudo que é direcionado ao público é bilingüe, valenciano e castelhano), tem dois canais na TV em valenciano, mas todos falam castelhano. Aqui, pelo menos até agora, percebi que o sentimento autónomo não é tão forte como na catalunha (aqui ao lado).

Ao contrario do que se pensa, na Espanha há violencia. Claro que longe de ser como no Brasil que você tem medo de andar a noite na rua e ser assaltado, mas há sim. Todo dia escuto carros de policía pasando com as sirenes ligadas, vejo no jornal assaltos a lojas e assassinatos.. Tudo bem, eu moro no centro e se eu quiser andar as 3 da manhã pelas ruas sozinho, certamente não acontececrá nada comigo, mas também não é o paraíso. Hoje mesmo, agora pela manhã, um homem foi preso embaixo da minha janela. Escutei pessoas gritando “al suelo, al suelo”, quando apareci na varanda tinha dois polícias com armas apontadas para uma sujeito negro (faço questão de frizar porque provavelmente é imigrante) e mandando ele deitar no chão. Não sei os motivos, mas o cara foi levado para delegacia. Nos meus 20 anos nunca vi uma prisão em João Pessoa, precisei vir para Espanha para ver.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

O caso das tortillas


Quando se está morando sozinho tudo parece muito legal, e é. Mas o pior de tudo é ter que cozinhar e, caramba, hoje foi o meu pior dia de comida até agora. Eu acordei cedo porque tinha um plano. Cedo em termos de férias, acordei as 09:00. Meu plano era: lavar a louça, colocar as roupas na máquina, almoçar e dar uma volta pela cidade. E tudo começou bem, levantei, lavei a louça, pus a roupa na máquina (demorei um pouco para entender como fazê-la funcionar), dei uma olhadinha no orkut e fui fazer o almoço.

Quando cheguei na cozinha lembrei de uma coisa. No congelador tinha uma tortilla (uma especie de omelete) daquelas que bota no microondas e tá pronto. AHA! Eu tinha uma carta na manga, ia comer bem e não ia ter nenhum trabalho. Coloquei a tortilla no microondas no tempo determinado, quando acabou, nada, não estava boa. Pus mais 2 minutos e nada. Na embalagem dizia que também podia fazer na frigideira e explicava como, então resolvi tentar. Fritei e pareceu bom. Coloquei no prato e botei um copo do terrível suco de laranja de caixa que eu comprei (foram 0,69 centavos de EURO, agora tenho que beber tudo) e fui para mesa.

Ai foi o pior momento porque percebi que as bordas estavam boas, mas o meio, parecia que tava podre. Eu mencionei que essa tortilla estava na geladeira eu não sei a quanto tempo porque ela foi deixada pelos antigos moradores do apartamento? Pois é, e eu me arrisquei só para não ter nenhum trabalho. Acabei almoçando um sanduíche. E devo dizer que o desastre culinário me fez perder o ânimo para prosseguir com o plano. Nesse moimento ao invés de estar desbravando Valência eu tô escrevendo esse texto.

Pois ficam as dicas, galera:

1. Não coma nada que você não saiba a data de validade
2. Não compre sucos de laranja em caixa na espanha, essa foi a segunda vez que eu fiz isso e deu errado.

Até a próxima o/

terça-feira, 16 de setembro de 2008

A INCRÍVEL JORNADA


Depois de 7 horas de vôo, começam a aparecer na imensidao escura do oceano, pequenos pontos brilhantes que logo se multiplicam, pouco a pouco. O comandante, falando português com aquele sotaque engraçado, logo diz: - Sejam bem-vindos a Lisboa

A partir desse momento entendi de vez. Tô na europa, vou viver um ano aquí, longe de tudo e de todos de quem gosto. Vai ser difícil, muito bom. Falei com Karol que viajava ao meu lado (foi estudar em Portugal) e foi muito ter alguém para dividir a emoçao da europa pela primeira vez.

Depois do encantamento, o transtorno. Sao seis da manha em Lisboa e minha conexao só ia sair as 11:20. Passar cinco horas no aeroporto sem nada para fazer é foda. A melhor coisa que aconteceu nesse tempo foi ouvir a chamada do vôo para Madrid.

Muito bem, devo dizer que a TAP enganou a todos nesse vôo. Foi até engraçado quando o ônibus que leva os passageiros do portao até o aviao chegou do lado de um aviao da Portugália airlines que mais parecia um ônibus da Sao Jorge. O que mais ouvi, nas mais diferentes líguas foi: “Esse é o vôo para Madrid?”dentro do aviao só tinha um corredor e era tudo muito apertado e velho, enfim, parecia um ônibus.

Quando cheguei a Madrid minha amiga Laura me esperava. O que foi interessante é que ao chegar em barajas nao me pediram nem o passaporte. Depois me explicaram que como eu tinha apresentado tudo em Portugal nao precisaria mostrar em nenhum outro país da UE.

Como nem eu, nem ela tínhamos muito tempo, rapidamente Laura me deixou na estaçao de metrô e me deu as indicaçoes para chegar a estaçao de trem. Chegando na estaçao de trem, tive que esperar um tempao para comprar o bilhete para valência. A mulher falava muito rápido e me dava duas opçoes. Sinceramente, nao entendi quase nada. O que entendi foi que tinha um que saía as 16:00 e outro que saía as 17:00. Nesse momento eram 15:40, entao pedi: - La más cerca. Paguei e saí correndo para pegar o trem das 16:00. Até agora nao mencionei mas desde que desembarquei em Madrid estava carregando duas malas grandes e uma mochila e fica a dica: nao façam isso a menos que seja extremamente necessário. Subir e descer escadas com duas malas nao é nada legal.

O que eu nao sabia é que peguei o trem errado. Nao o errado que vai dar no lugar errado. Mas o errado que demora três horas a mais para chegar. O resultado disso foi que cheguei as 22:00 em Valência. O que nao mencionei também é que a dona do apartamento que deveria me buscar nao estava sabendo da minha chegada em valencia, sabia o dia, mas nao sabia a hora porque nao consegui ligar para ela em Portugal e nao deu tempo de ligar em Madrid.

Acho que o pior momento foi chegar em Valência a noite e se saber para onde ir. Foi a primeira vez que me deu medo. No trem eu tinha perguntado ao funcionário da Renfe sobre a minha rua em Valência. Por sorte ele tinha um cartaz da corrida de F1 que aconteceu em Valência e nesse cartaz tinha um mapa com as ruas e as linhas de metrô da cidade. E ele me disse qual era a linha de metrô. Peguei o metrô até o centro, onde ficava minha rua e fui atrás de um telefone público.


A primeira imagem da cidade que tenho é um homem saindo do metrô a meia noite gritando e xingando uma mulher que parecia ser sua namorada. O cara tava enlouquecido e quase quebrou o anúnio luminoso da movistar que tinha na frente dele. Bem, para finalizar, consegui falar com la Señora Isabel que foi me buscar e me levou ao apartamento. Cheguei pouco mais de 00:00 e aí me lembrei que nao tinha comido desde do aviao esquisito, de uma hora da tarde.


Prometo que as próximas postagens serao menores, mas eu tinha que contar tudo direitinho.

A volta a comunicaçao, finalmente!


Terça, 16 de setembro de 2008. A partir de hoje começo a atualizar o blog freqüentemente daquí de valencia. Finalmente comprei o computador e tudo se torna mais fácil a partir de agora. Vou contar as histórias aos poucos para que nao fiquem cansativas. Peço que todos tenham paciência em relaçao a falta de “til” nas palavras, mas é o único sinal gráfico que nao tem no teclado espanhol e nao dá para mudar toda a configuraçao só por causa de um “til”. Por agora fiquem com a incrível jornada.

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

Dando notìcias

Galera, cheguei em Valência!!!!!!!!

A cidade é espetacular, tudo é lindo, mas foi uma incrivel jornada pra chegar a`té aqui. nesse momento estou numa espécie de Lan que se chama Locutorio. Nao comprei meu computador ainda, por isso a demora em postar e em dar notìcias. `Presumo que até a semana que vem vai ser assim, com dificuldades de entrar na net. Mas semana que vem vou contar as històrias que já tenho guardadas e acredito que todo mundo vai gostar. Por enquanto só vai esse post pra dar satisfaÇao mesmo. Entao, esperem pela semana que vem que vem coisa muito boa por aí. ¡Hasta Pronto Brasil!

ps: esses erros de digitaÇao sao impossíveis de corrigir porque o teclado é espanhol e nao está sendo nada fácil pra mim. Bjaum!

domingo, 31 de agosto de 2008

As despedidas...penúltimo fim de semana...


É, começaram as despedidas. Sábado, 23 de agosto, abriu as despedidas oficiais. Apesar do convite estendido a várias pessoas, compareceram Fernanda, Diego, Virgínia e Joselito. Uma pequena parte das pessoas, mas com toda sua importância comprovada!u.u

Foi um dia realmente espetacular e nostálgico, digno de filmes de drama. Quem não foi ainda até lá é recomendável, invadir propriedade privada vale a pena, é realmente um lugar espetacular. Foi a minha última vez lá antes de partir, ai ficou aquele clima de nunca mais: abraços excessivos, olhares tristes, fotos e mais fotos. O que resultou numa das tardes mais espetaculares que eu já tive.

Nesse sábado, dia 30 foi a despedida com o pessoal de jornal, e que dia divertidíssimo. Fomos ao Dona Branca, no famosos Happy Hour e pra quem conhece a turma I.A.P.Ô.I já deve imaginar o que rolou...fotos e fotos e fotos e mais clima de adeus (to adorando isso véi). Não tem muito que contar quem foi sabe o quanto foi legal.


No domingo, 31, foi a despedida com a galera. A galera que me acompanhou desde sempre na minha vida, aqueles que estiveram comigo em todos os momentos. As pessoas com quem eu fiz as coisas mais loucas da minha vida, com quem compartilhei as piores e as melhores coisas do meu caráter. Claro que não foi todo mundo, aliás, foi uma pequena parte de toda a galera que (eles acreditem ou não) faz parte do meu coração. Num vou entrar no mérito da questão, mas acho que foi quem se importa. Evi, Arthur, Juka e Alynne (jake deu uma passada). Enfim, nos reunimos no quartel-general, a casa de Alynne, e comemos...e comemos muito!Poucas coisas são tão prazerosas como comer e o macarrão de Alynne estava espetacular. Foi outro climão, fotos e fotos e fotos depois, o drama foi guardado pro fim, nós acertamos que eles me deixarão no aeroporto.



A cada dia parece mais difícil ter de ir...

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

O episódio das Espanholas


Era um sábado e beirava o meio dia. Eu estava no msn até que minha amiguinha Clara (que nesse texto tbm será chamada de A GATA para fazer toda aquela coisa bonitinha de não repetir muito as palavras) resolve me fazer uma proposta para o período da tarde. Clara relatou que tinha acabado de receber uma ligação de seu amigo intercambista francês, Camillo, e que ele lhe pedira um favor. Camillo estava recebendo duas espanholas em sua casa, mas precisava viajar e não queria que as duas ficassem sozinhas no apartamento, por isso pediu que Clara mostrasse a cidade a elas. A GATA, então, me convidou para que fôssemos os guias das meninas nesse tour por João Pessoa.

Passei na casa de Clara por volta das 14:00, esperamos a ligação das meninas, as quais já sabíamos os nomes, Laura e Elena. Por volta das 15:00 elas ligaram e A GATA combinou tudo com Laura. Estaríamos em frente a Esplanada, na lagoa. A idéia era levá-las ao centro histórico e coisas do tipo. Saímos ao encontro delas e ficamos esperando no lugar combinado. Após uma meia hora, estranhando a demora, perguntei a Clara como elas eram. Com aquele olhar de quem esqueceu alguma coisa e um sorrisinho desconfiado no canto da boca, A GATA me respondeu que não sabia.

Nesse momento, nós percebemos que não sabíamos as características físicas das meninas, não tínhamos o telefone delas e nem, ao menos, sabíamos as roupas que elas estavam vestindo. Nesse exato momento imaginei duas loiras de olhos claros perdidas pelo centro pedindo informações e não sendo compreendidas, entrando em desespero, pegando ônibus errado. Enfim, depois desses poucos segundos de delírio e desespero, Clara pondera que estrangeiros são inconfundíveis, sempre tem características marcantes que o diferem da população local. Eu concordei, mas lembrei que elas poderiam já ter descido e não encontrado a loja, já que em espanhol não existe essa palavra (loja = tienda) e eu percebi a dificuldade para Laura entender a instrução ao telefone.

Lembrando que elas estavam vindo dos bancários, resolvemos ir até o ponto onde param os ônibus do bairro para ter certeza de que não havia nenhuma gringa perdida por lá. Na hora que chegamos à parada percebi que acabava de chegar um ônibus vindo dos bancários e decidimos observar bem quem estava descendo para tentar identificar.
Foi uma jogada de mestre porque na mesma hora identificamos as duas no meio da multidão. Elas não tinham nenhuma característica física que revelasse a nacionalidade delas, nem mesmo as roupas eram incomuns as que as garotas usam aqui, mas tem alguma coisa no jeito que entrega, não sei explicar.

Logo que concordamos que eram elas mesmas quem nós esperávamos pedi A GATA que fosse falar com elas e dizer quem nós éramos. Mas de repente, clara olha para mim e começa a rir sem parar. Eu não compreendi muito bem, mas ela disse que rindo daquela forma não conseguiria falar com as meninas. Então, eu, na minha completa sensatez, propus que as seguíssemos. Isso mesmo, as SEGUÍSSEMOS. Nesse momento A GATA desatou a rir ainda mais e eu também comecei a rir devido a situação, foi nessa hora que algumas pessoas começaram a observar com olhar de reprovação para nós, inclusive as garotas espanholas.

Quando notamos que elas nos viram, viramos a cara e fingimos que não era conosco. Então elas começam a andar e nós começamos a seguir (toda vez que escrevo a palavra seguir fico constrangido) e continuamos rindo e seguindo, tendo o cuidado de não sermos notados e sempre nos mantendo alguns passos atrás delas. E sempre tentando ouvir a conversa delas, claro, pra ver se escutava alguma coisa em espanhol, mas isso não deu muito certo porque nessa hora elas olharam com uma cara meio desconfiada pra nós e tivemos que fingir novamente.

Então resolvemos passar a frente delas pra estar esperando quando elas chegassem, foi meio ridículo esse momento também porque nós meio que corremos na lagoa pra chegarmos antes e elas perceberam que nós passamos na frente delas.

Para encerrar essa história longuíssima chegamos e estávamos lá, em frente a esplanada, como se nada tivesse acontecido e tudo acabou bem. Ainda nessa tarde nos perdemos no centro histórico e recebemos a ajuda de Laura, que nunca tinha vindo a João Pessoa, com seu mapinha da cidade, e depois elas revelaram como nos acharam estranhos quando estávamos rindo e as seguindo pelo centro, mas isso fica pra outra vez. Até mais!

terça-feira, 26 de agosto de 2008

O caso dos contracheques desaparecidos


Depois de um mês de correria, eu e minha mãe conseguimos juntar todos os papéis que o consulado espanhol pediu. A última coisa que faltava eram meras cópias, Xerox de tudo que tínhamos juntado.

Voltando do centro, era um fim de tarde e minha mãe e eu resolvemos fazer essas cópias na UFPB. Muito calmamente estacionei em frente a Central de aulas (CA) do CCHLA onde há várias xerox e lanchonetes. Sentamos calmamente numa das lanchonetes e organizamos todos os papéis, numa disciplina que mainha insiste em ter.

Então, com os papéis na mão nos dirigimos ao quiosque mais próximo. Nesse pequeno espaço que não chega nem a dez metros deixei a carteira de identidade de mainha cair no chão, não tínhamos visto, mas uma gentil transeunte viu, pegou e nos devolveu. Quando chegamos a xerox começamos a entregar para a moça e ela foi copiando, copiando até que minha mãe disse, agora me dê os meus contracheques. Eu procurei, mas não encontrei e disse:

- Não está aqui, a senhora deve ter pegado
- não, eu entreguei a você, junto com todos esses outros documentos
- impossível, não está aqui, já olhei duas vezes

Resolvi verificar se tinha caído no carro, apesar de nos lembrarmos que tínhamos visto os contracheques quando organizamos tudo na mesa da lanchonete. Começou a bater o desespero e procuramos por todo lado, no meio do caminho de um lugar pro outro (todo o grande percurso 10m), nas mesas da lanchonete e nada. Mainha pediu ajuda ao moço da lanchonete que saiu procurando conosco. Tentei manter a calma e disse, não tem problema, mesmo tendo que entregar esses documentos até amanhã a senhora pode pegar a cópia desses contracheques de manhã cedo e entregamos a tarde. Então veio a revelação bombástica, não tinha como conseguir a cópia desses documentos, ou eram aqueles, ou tudo estaria perdido. Nesse momento me veio a cabeço: seis malditos papeizinhos acabaram de destruir meu sonho de morar na Europa.

Ligações e mais ligações mainha descobriu que tinha como conseguir a cópia dos dois últimos, mas os demais teriam de ser encontrados, senão, realmente tudo estaria perdido. Eu já estava dentro do carro, derrotado, já não havia mais esperança. Mainha rezava e não perdia a esperança. Então, num súbito momento de fé, ela disse: - vou procurar mais uma vez!
Eu disse tudo bem, mas permaneci no carro. A essa altura mainha já tinha dado o número do nosso telefone ao homem da lanchonete para o caso dele encontrar os benditos. Observei de longe a perseverança de mamãe ao procurar atrás dos quiosques, até que vejo um sorriso de alegria no rosto dela. Ela se abaixa, pega um papel pequeno e comemora. Não precisava de outro sinal, sai correndo e de repente começamos a encontrar todos, uma a um. O último foi encontrado por mim quase embaixo de um carro a uns 100 metros do local onde nós estávamos.

Foi desesperador, mas conseguimos recuperar todos quase uma hora depois do início do terrível desaparecimento. Falamos com o moço da lanchonete e ele abriu aquele sorrisão de satisfação por nós termos encontrado todos. Tiramos as cópias e voltamos pra casa com a certeza de que nada mais poderia impedir a minha ida à Espanha, se os contracheques fujões não puderam nada mais pode!

Então, fica a dica: Sempre fique de olho nos contracheques!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Como Tudo Começou...


Não sei exatamente o dia, mas sei que foi em dezembro. Em dezembro de 2007 minha grande amiga Virgínia Milanesi veio com uma informação que mudaria minha vida. Ela me falou sobre o PIANI, e foi logo falando que ia tentar pra França e como seria sensacional se eu tentasse pra Espanha e se nós morássemos na Europa, além de todas as outras coisas maravilhosas que esse belo continente oferece.
Confesso que, apesar da empolgação, imaginei que não seria possível pelo alto custo da viagem. Mas como Virgínia é uma pessoa que tem uma facilidade enorme para convencer pessoas eu resolvi, ao menos, me inscrever e fazer a prova. A inscrição já foi uma novela, quase que não dava tempo, mas no penúltimo dia consegui. Fui falar com Virgínia e qual não é minha surpresa quando ela diz que desistiu, que pensou melhor e o mais sensato a fazer seria ir no próximo ano...isso foi bem desanimador, devo confessar. Mas resolvi não desistir e fazer a prova.
E como nada é fácil, principalmente pra mim, a prova envolveu outra confusão. No PIANI os concorrentes devem tirar uma nota igual ou acima de 7,0 na prova de proficiência do idioma para poderem passar para a próxima fase, que é a do CRE, a mais importante. Entretanto, ao contrário das provas dos outros idiomas, na prova de espanhol ninguém passou, exceto eu e mais duas garotas (não sei o nome delas) e com a nota mínima, 7,0. As outras pessoas que fizeram a prova não aceitaram e recorreram. Confusão e mais confusão depois foi feita uma nova prova na qual cinco pessoas, inclusive eu, com 7.1 (super acréscimo de nota) passaram. Devo admitir que a prova estava dificílima, com um nível altíssimo, mas acabou dando tudo certo no final.
Passei na seleção, recebi a carta da Universidade de Valência, passei por todos os tramites legais do consulado (peguei meu visto hoje) e agora, 25 de agosto de 2008, estou pronto pra viajar. Sei que não vai ser fácil viver num país estranho, com uma cultura diferente e uma língua diferente, longe de casa e sozinho. Mas acho que tudo vai valer muito a pena, mesmo deixando a família e os amigos para trás. E como vai ser difícil deixar os amigos, e as universidades...e como vai ser maravilhoso morar no velho continente, na Espanha, em valência!

Pra um primeiro post, acho que já escrevi demais... até a próxima!